segunda-feira, 15 de março de 2010

Destinos Cruzados II

foto by felipemaunn (www.panoramio.com/photo/8458575)
O primeiro disparo estilhaçou uma vitrine bem à minha frente. Pude sentir o zunido do projétil passando próximo da minha cabeça. Em seguida veio o segundo disparo e desta vez não me acertou por pouco. Por sorte tropecei naquele idiota paspalhão, o que fez com que meu corpo se desequilibrasse, no exato momento que o peito de um turista, que estava a uma metro e meio de meus olhos, foi perfurado pelo projétil.

- Merda cara! Sai da minha frente porra!
- Sai você da minha, não está vendo que estão atirando em mim?
- Em você o cacete, aquelas balas são para mim.
O terceiro disparo calou nossas bocas. Começamos a correr feito loucos pelos corredores da galeria. Não sei de onde o cretino de camisa floreada tirou a idéia de que aqueles três puxa sacos do governo queriam matá-lo, mas corria como o diabo da cruz. Que merda, não esperava que me descobrissem tão cedo. Hospedei-me perto da embaixada brasileira justamente para ficar de olho nos cretinos. Minha saída era me misturar aos turistas e sumir da vista daqueles putos. Chamar la policia seria a coisa mais estúpida a fazer naquele momento.

Saí correndo pela lateral da galeria e cheguei até a avenida Pan Americana e tomei rumo ao edifício Monalisa. Entrei na primeira loja de roupas. Por sorte consegui comprar a peruca loira do manequim. O Paraguay tem lá suas vantagens, só não vendem a mãe a preço de custo devido à tradição. Para meu espanto, o puto da camisa Hawaii entrou logo atrás de mim, e também trocou a roupa. Não sei de onde o filho da puta arrumou um aparador de cabelo. Logo que saiu do provador, usava corte zero nos cabelos, terno e gravata, um chapéu estilo Valdik Soriano e um legítimo rayban paraguaio. Não precisou me dizer, mas pelo desespero do safado, me convenceu de que aqueles três boiolas pistoleiros, realmente estavam à sua caça, por qual motivo não sei.
Não fiquei para trás no disfarce, tratei de me enfiar logo naquele vestido mais enfeitado que vestido de baiana no desfile de carnaval. pedi ajuda para a vendedora me fazer uma maquiagem rápida, com batom e tudo. Alguns colares no pescoço e muitas pulseiras penduradas nos braços. Um óculos escuro tamanho gigante adornava minha cara quando saí de mãos dadas com o estranho. Devo ter ficado parecido com a Carmem Miranda ou ridículo demais. O chato era aquela meia calça puxando os pêlos da minha bunda, que me forçava, a cada cinco passos, ficar ajeitando ela aqui e ali.

- Não ria, seu puto. Vá falando logo. O que você fez para aqueles homens atirarem em você?
- É uma longa história. E você? Por que está fugindo?
- É uma história longa.

Nos dispersamos na multidão. De longe consegui avistar os três patetas feito baratas tontas, olhando para todos os lados, tentando nos encontrar. Hasta la vista cabrones! Entramos num táxi e rumamos para o subúrbio. Como não estava disposto a ser confundido com uma corredera, tratei logo de comprar outras roupas.

Descemos do táxi já no alto da colina San Rafael, ao norte, de onde tínhamos uma visão privilegiada do rio Paraná. Entramos num boteco, pegamos umas garrafas de Pilsen Dorada e fomos nos sentar no alto da colina, remoendo os últimos acontecimentos.

- Rubens. Tim tim.
- Rui. Saúde.

Ficamos em silêncio, apreciando a cerveja gelada e a paisagem. Algumas aves faziam acrobacias no céu enquanto Martin pescadores davam rasantes nas águas do rio Paraná. Ao longe, o intenso movimento na ponte da amizade.

2 comentários:

Tia Paula disse...

Aposto que você é fã de Bukowski!
Adoreeeeei!!!!

http://www.pauleeeira.blogspot.com/

Guilherme Sakuma disse...

Hahahaha ai caralho... Adoro esses contos doidos. Muito bem narrado. Demais mesmo!